por Josué Brazil*
Desde a minha ida ao Festup desse ano, em meados de setembro, o assunto me persegue! Ele tem me encontrado também em revistas como Meio&Mensagem, PróXXIma, Propaganda e em conversas com publicitários. Afinal de contas, de que estou tratando? De modelo de agência, meus caros!
E de tudo o que eu ouvi e li nesse período cheguei a duas conclusões:
1 – O Brasil está preso a modelos muito conservadores de agências de propaganda, com honrosas exceções;
2 – O mundo está preso a modelos muito conservadores de agências de agências de propaganda, com honrosas exceções.
A revista ProXXIma traz duas matérias no mês de outubro que abordam o tema: uma com P.J. Pereira da Pererira & O’Dell e outra com Bob Greenberg da RG/A. Em ambas as entrevistas fica claro que as duas empresas em questão não adaptaram seus modelos às novas realidades do mercado de comunicação. Elas já nasceram diferentes e com uma cultura organizacional e funcional totalmente novas.
No Festup, evento promovido pela APP nos dias 17 e 18 de setembro, tive a oportunidade de conferir a palestra da CuboCC e vi que eles também, desde o início, trabalham dentro de um modelo que rompe totalmente com o tradicional esquema de agências de propaganda que, afinal de contas, já tem mais de dois séculos.
As agências inovadoras não estão presas à departamentalização tradicional: atendimento, planejamento, criação e mídia. É lógico que elas terão pessoas em sua estrutura que cumprirão funções próximas a esses departamentos, mas com cultura totalmente nova e, principalmente, com uma visão de integração altíssima e forte foco em tecnologia.
Trazendo para a realidade do mercado de comunicação do Vale do Paraíba esse tema, verifico que ano após ano surgem novas agências aqui e ali, mas poucas delas realmente trazem algo de diferente. Não vejo nenhuma delas romper com os modelos tradicionais. Apostar em uma nova forma de fazer comunicação não parece ser a preocupação principal de quem está empreendendo agora. E daí o que temos? Um monte de mais do mesmo…
As agências que já estão no mercado há algum tempo tentam ora e outra passar a idéia de que são diferentes, inovadoras e que prestam esse ou aquele serviço diferenciado. Na maioria das vezes isso fica só no discurso. Infelizmente!
Sei que a questão é complicada. Mesmo! Mas acredito que todos devemos repensar o modelo de atuação e funcionamento dos negócios de propaganda. E já! Antes que seja tarde…
* Josué Brazil é professor e editor do blog Valepublicitando.



